21 julho 2015

Quando tudo acontece sem se dar conta, e os 15 anos chegam

  Eu costumava dizer que minha vida iria começar a ser emocionante a partir dos 18 anos, mas nunca percebi o quão bobo essa frase soava. Simplesmente, pelo fato de ser nova e não ter conhecido praticamente nada do mundo afora, eu adotava isso pra mim mesma. Só que, com o decorrer do (transformador) tempo, fui finalmente percebendo que não é assim que a banda toca.

 Oras, eu acabei de completar 15 anos, afinal! Como posso dizer que não passei por nada emocionante? Já foram tantas aventuras e encrencas aqui e acolá que me proporcionaram diferentes sensações e lembranças.

 Pensando pelo lado mais físico, tenho 15 anos de existência na terra que para mim mudou, e muito - seja em questões sociais ou tecnológicas. Vi, tempos atrás, adolescentes indo ao cinema, que hoje trocam por um sábado de festança sem fim. Vi pessoas mais 'fechadas' começarem a discutir suas opiniões com o mundo. Vi crianças, antes alegres brincando com brinquedos e amigos na rua, se prenderem em aparelhos eletrônicos dentro de casa. Eu sinto saudade de ser uma criança como antigamente. E só me dei conta disso vários anos depois, quando problemas da puberdade começaram a aparecer.

 A questão é que, em um momento ou outro, a gente se toca que muita coisa passou e a gente perdeu, deixou de vivenciar, passou batido. Ou não, talvez tenhamos curtido o prazer de várias coisas do passado. De qualquer forma, muitas vezes demoramos para nos dar conta da vida que estamos vivendo, dos anos que estão se passando, de cada segundo que respiramos. Demoramos para perceber que, diariamente, envelhecemos e deixamos de encarar uma luta daquele dia, seja um trabalho, ou até mesmo a louça na pia pra lavar, o que for.

 Hoje eu me dei conta que perdi muita coisa, assim como ganhei muita coisa. Perdi oportunidades, amigos, momentos. Mas também ganhei chances, novas amizades, memórias. É, a vida tem dessas.

 Eu só espero conseguir provar mais do que a vida têm a oferecer, do que o tempo têm pra mostrar.

 Eu só espero ter vivenciado milhares de fatos emocionantes quando chegar no tal dos 18 anos.

Bea Alcântara